É gigante, leia se quiser. Senão comenta sobre o clima ou lê o post passado. Ou fecha de uma vez e volta outro dia.
Meu campo de estágio atual é no hospital. Não é necessário me conhecer bem para saber que eu já tive problemas envolvendo materiais perfuro-cortantes e os procedimentos que os utiliza. Diretamente falando, eu desmaio ou chego muito perto disso com facilidade. Já me fizeram deitar no meio do hemocentro do estado porque eu estava tonta, levantaram minhas pernas, me carregaram no colo e eu fiquei naquelas cadeiras que deixam as pernas elevadas. Esse foi o pior, mas não dá para esquecer das vezes que eu precisei sentar e respirar fundo para não desmaiar em coletas de sangue (nem era o meu) ou no treinamento de injetáveis. O engraçado é que eu não precisava nem ver nada, só de imaginar eu passava mal, talvez por imaginar pior do que normalmente é.
Preciso explicar por que eu estava morrendo de medo desse estágio no hospital? E quando eu soube que a gente ia no centro cirúrgico acompanhar cirurgias? Meu grupo é o último a fazer o estágio no hospital esse semestre, então eu já tinha ouvido relatos de outros. Uma das meninas desmaiou e caiu com a cabeça dentro do lixo, acordando sem saber onde estava. Dois caras saíram passando mal e foram "tomar um ar" no banheiro. Contaram que primeiro saiu um ruim e o outro ficou rindo da cara dele. Não deu muito tempo o outro saiu, branco. Pela minha vasta experiência, eu sempre sei quando vou passar mal, então não chego a desmaiar, sento em qualquer lugar antes. Ora, pelo menos eu não ia cair com a cabeça no lixo!
Chegou o dia. Eu tremia e suava enquanto trocava de roupa, colocando aquelas especiais para centro cirúrgico. O farmacêutico mostrou as salas, a gente tirou foto com os equipamentos de uma sala que não estava sendo usada e depois era para entrar na sala em que estava acontecendo a cirurgia. Eu já tinha avisado a professora e o farmacêutico que eu iria entrar no centro cirúrgico, mas só iria acompanhar o procedimento se me sentisse bem. Me encostei numa parede e falei que não queria ver.
- Vem, Aline, não dá nada.
- Por enquanto não, estou bem aqui - grudada na parede, com cara de assustada e branca, como relataram depois.
- Não, ela vai desmaiar.
Eis que me surge o anestesista (e que anestesista, deve ser o mais lindo do mundo, ai ai), que já tinha conversado um pouco com a gente antes e me puxa pelo braço:
- Ah, mas tu vais ver sim! Desmaia uma vez, duas, três, depois acostuma.
- Tais querendo ver alguém desmaiar aqui hoje, né? - falei rindo, mas morri de medo. Olhei. Não senti nojo nem tontura nem mesmo moleza nas pernas, nada.
- Tais bem?
- Sim.
- Viu só? Tem que olhar, afinal, quando vais ver um pinto aberto de novo?
Risada geral. Realmente, eu só pretendo ver um pênis aberto numa cirurgia, caso contrário deve ser cruel demais. Só senti um arrepio na cirurgia seguinte, quando o cirurgião puxou o testículo para fora (tipo, BEM para fora) e nos explicou várias coisas, muito atencioso. Tudo isso ao som de música latina animadíssima. Depois Armandinho. Depois Andrea Bocelli. Por fim Shakira, com o cirurgião que estava livre contando como é a abertura do show, todo empolgado: as meninas da Farmácia vão ter que dançar a primeira música. Ahá, vai sonhando!
No meio da manhã, a professora liga lá perguntando se uma Aline está, se ela está bem e se pode falar com ela. Para ver como a minha fama de pessoa que passa mal não é pouca.
Duas meninas saíram logo, mas e fiquei lá praticamente o resto da manhã com mais uma menina, fiquei toda orgulhosa de mim mesma. Vi o chefão do hospital operando (é o mesmo do show da Shakira), tive "aulinha" com ele e chapei com a anestesia. A parte de chapar com a anestesia é mentira. O anestesista queria que a gente cheirasse a anestesia e a gente com medo.
- Suas medrosas! Vocês vão ser farmacêuticas, tem que experimentar os medicamentos (parênteses: uma amiga minha já experimentou quase de tudo, mas eu fujo de medicamentos o máximo possível... experimentar, imagina). Não vai ser uma cheiradinha que vai deixar vocês em alfa. Um adulto precisa inspirar umas 50 vezes para apagar.
É, as crianças pequenas demoravam um tempo para apagar, uma cheirada não ia chapar. Cheiramos. Cheiro estranho. Nunca tomei anestesia geral, admito que fiquei curiosa para dar mais umas inspiradas para ver qual é a sensação, mas dei uma mini-inspirada que confirmou o que ele já tinha falado: suas medrosas!
A manhã foi de granja, como um dos cirurgiões falou: só pintos e ovos (um desvio de uretra - o menino fazia xixi pra baixo, não pro lado; testículos que não desceram para o local correto e foram colocados no lugar pela cirurgia e hérnias na região da virilha - para não colocar os nomes complicados). Adorei, queria mais!
PS: Pelo amor de Deus, não pensem que eu quero virar médica! E eu superei porque alguém me carregou pra mesa, não porque quem me carregou era bonitinho. Duh! Só para constar!
