*Eu?
Aline - 21 anos - Twitter - Orangotag - Flixster - outras características são mostradas nos posts ou pode perguntar, se quiser.

*Layout
14a versão. Desde 07.09.08.
Foto tirada por mim. Layout simples e claro, como eu queria.

*Família?
(x)

*Links?
Agora em outra página.

*Prêmios/selos?

*Créditos:
Vevis
Cutenews

16 Nov 2008 ~ Definição simples
Outros

“A pessoa ia atravessando o dia, às vezes sentindo-se ótima, outras, apenas razoável, mas tocando para a frente e dando conta de suas tarefas... e então, sem nenhuma razão palpável, a pessoa se incendiava e despencava do céu. Uma sensação de Para que tudo isso, droga? a invadia – independente de qualquer ocorrência real naquele momento mas, mesmo assim, incrivelmente forte – e a pessoa tinha vontade de voltar correndo para a cama e esconder a cabeça debaixo das cobertas.”
Do livro Insônia de Stephen King.

Essa foi a melhor definição de depressão que eu já li, própria para leigos. Claro que não abrange todos os tipos de depressão, mas parece passar uma ideia clara do que se sente. Ou ao menos é assim que eu penso que a maioria das pessoas com depressão se sentiu alguma vez. Em alguns momentos Stephen King consegue simplificar a tal ponto os sentimentos humanos mais complexos que surpreende.
O estágio que estou fazendo agora é só com mais uma menina. O que tem a ver com isso? Ela tem depressão. De acordo com ela, agora a doença está controlada com medicamentos, mas não sei até que ponto. Considerando o que ela já passou, deve estar mesmo. Ela já tentou se matar (apesar de dizer que se cortava só pelo prazer de sentir a dor e ver sangue) e já tomou praticamente todos os tipos de medicamentos. Era até engraçado quando começávamos a falar sobre medicamentos controlados principalmente: ela já tinha experimentado de tudo. Apesar de eu gostar dela, a convivência diária principalmente com ela no estágio não é fácil. O desânimo parece contagiar, tudo sempre parece estar ruim. É o tipo de pessoa que precisa de tratamento, apesar de eu pensar que a psicoterapia faria um bem maior que os medicamentos, pelo menos a longo prazo.
Agora o que me assusta são as pessoas que tomam fluoxetina (o famoso Prozac) só porque pensam estar com depressão. Todos nós passamos por momentos tristes, isso é mais do que óbvio, mas tem gente que por qualquer coisa engole um Prozac. O pior de tudo é que vários médicos prescrevem assim à toa, isso sem contar os que nem olham para a cara do paciente, só vendem receitas. À medida que fui conhecendo mais sobre medicamentos, minha admiração e meu medo deles só aumentou. Agora para mim medicamento é o último remédio. O famoso uso racional. Nada de tomar antidepressivo só por uma tristeza passageira ou ansiolítico (calmante) por não dormir direito por duas noites.
Meus posts estão inevitavelmente desviando para o assunto saúde/estágio nos últimos tempos, incrível. Assim espanto todos.

Aline


08 Nov 2008 ~ Estágio - parte III
Pessoal, Faculdade, Para lembrar, Diário

Como foi falado no post passado, um dos meus campos de estágio obrigatório foi no hospital universitário, que, a propósito, é infantil. Antes do hospital fiz na farmácia comercial normal, mas vou aproveitar o assunto do post anterior. Quem leu já sabe dos meus antigos problemas com ambientes hospitalares e os procedimentos realizados. Eu tinha muito medo desse estágio, mais do que de todos os outros juntos. Mas eu não tinha saída, precisava fazer e pronto.
Lá fui eu então. Logo no primeiro dia fomos na UTI ver um equipamento que ninguém da farmácia conhecia, colocado numa menininha bem pequena que tinha entrado no hospital naquele dia, vinda de outro hospital em que não tinham descoberto o que ela tinha e, enquanto isso, ela só piorava. Eu já tinha entrado na UTI uma vez bem rápido e tinha achado horrível. Dessa vez eu não conseguia tirar a imagem daqueles bebês da cabeça. O choro das crianças parecia não sair dos ouvidos e dava um certo desespero.
No começo, eu achava que era uma coisa meio farmacêutico wannabe médico, mas depois mudei de opinião. Vi que, se o profissional é competente, pode conquistar respeito e fazer um ótimo trabalho, como acontece com o farmacêutico com quem mais tivemos contato lá. Passei a admirar e a considerar o hospital um possível local de trabalho. Deixei de ficar triste vendo as crianças doentes e me acostumei com o choro. Fiquei até com vergonha quando falei para a professora que no começo eu ficava chocada e depois passei a achar normal, senti culpa por me sentir assim. Ela disse que eu não precisava ter vergonha porque a gente realmente se acostuma a isso e pára de se surpreender tanto.
Comecei a gostar do que eu tinha medo, sabe-se lá como. Aprendi, cresci muito e recebi elogios lindos no último dia. Fui disposta a aceitar mudanças de pensamentos, de opiniões. Surpreendi e fui surpreendida.
A propósito, a menininha da UTI faleceu enquanto eu estava lá, antes mesmo de terem um diagnóstico fechado. Assim como outro menino que teve crise de epilepsia. Nos últimos dias, entrou um menino de 13 anos que levou um tiro na cabeça e perdeu massa encefálica. Eu, curiosa, fui ver. Esse ainda continuava lá até meu último dia de estágio. Tragédias, mas eu não fiquei mais chocada. Ver várias crianças ganhando alta compensa, com certeza.

PS (10/11): O menino do tiro morreu.

Aline


31 Oct 2008 ~ Eu no centro cirúrgico (ou Aline's Anatomy)
Faculdade, Para lembrar, Diário

É gigante, leia se quiser. Senão comenta sobre o clima ou lê o post passado. Ou fecha de uma vez e volta outro dia.

Meu campo de estágio atual é no hospital. Não é necessário me conhecer bem para saber que eu já tive problemas envolvendo materiais perfuro-cortantes e os procedimentos que os utiliza. Diretamente falando, eu desmaio ou chego muito perto disso com facilidade. Já me fizeram deitar no meio do hemocentro do estado porque eu estava tonta, levantaram minhas pernas, me carregaram no colo e eu fiquei naquelas cadeiras que deixam as pernas elevadas. Esse foi o pior, mas não dá para esquecer das vezes que eu precisei sentar e respirar fundo para não desmaiar em coletas de sangue (nem era o meu) ou no treinamento de injetáveis. O engraçado é que eu não precisava nem ver nada, só de imaginar eu passava mal, talvez por imaginar pior do que normalmente é.
Preciso explicar por que eu estava morrendo de medo desse estágio no hospital? E quando eu soube que a gente ia no centro cirúrgico acompanhar cirurgias? Meu grupo é o último a fazer o estágio no hospital esse semestre, então eu já tinha ouvido relatos de outros. Uma das meninas desmaiou e caiu com a cabeça dentro do lixo, acordando sem saber onde estava. Dois caras saíram passando mal e foram "tomar um ar" no banheiro. Contaram que primeiro saiu um ruim e o outro ficou rindo da cara dele. Não deu muito tempo o outro saiu, branco. Pela minha vasta experiência, eu sempre sei quando vou passar mal, então não chego a desmaiar, sento em qualquer lugar antes. Ora, pelo menos eu não ia cair com a cabeça no lixo!
Chegou o dia. Eu tremia e suava enquanto trocava de roupa, colocando aquelas especiais para centro cirúrgico. O farmacêutico mostrou as salas, a gente tirou foto com os equipamentos de uma sala que não estava sendo usada e depois era para entrar na sala em que estava acontecendo a cirurgia. Eu já tinha avisado a professora e o farmacêutico que eu iria entrar no centro cirúrgico, mas só iria acompanhar o procedimento se me sentisse bem. Me encostei numa parede e falei que não queria ver.
- Vem, Aline, não dá nada.
- Por enquanto não, estou bem aqui - grudada na parede, com cara de assustada e branca, como relataram depois.
- Não, ela vai desmaiar.
Eis que me surge o anestesista (e que anestesista, deve ser o mais lindo do mundo, ai ai), que já tinha conversado um pouco com a gente antes e me puxa pelo braço:
- Ah, mas tu vais ver sim! Desmaia uma vez, duas, três, depois acostuma.
- Tais querendo ver alguém desmaiar aqui hoje, né? - falei rindo, mas morri de medo. Olhei. Não senti nojo nem tontura nem mesmo moleza nas pernas, nada.
- Tais bem?
- Sim.
- Viu só? Tem que olhar, afinal, quando vais ver um pinto aberto de novo?
Risada geral. Realmente, eu só pretendo ver um pênis aberto numa cirurgia, caso contrário deve ser cruel demais. Só senti um arrepio na cirurgia seguinte, quando o cirurgião puxou o testículo para fora (tipo, BEM para fora) e nos explicou várias coisas, muito atencioso. Tudo isso ao som de música latina animadíssima. Depois Armandinho. Depois Andrea Bocelli. Por fim Shakira, com o cirurgião que estava livre contando como é a abertura do show, todo empolgado: as meninas da Farmácia vão ter que dançar a primeira música. Ahá, vai sonhando!
No meio da manhã, a professora liga lá perguntando se uma Aline está, se ela está bem e se pode falar com ela. Para ver como a minha fama de pessoa que passa mal não é pouca.
Duas meninas saíram logo, mas e fiquei lá praticamente o resto da manhã com mais uma menina, fiquei toda orgulhosa de mim mesma. Vi o chefão do hospital operando (é o mesmo do show da Shakira), tive "aulinha" com ele e chapei com a anestesia. A parte de chapar com a anestesia é mentira. O anestesista queria que a gente cheirasse a anestesia e a gente com medo.
- Suas medrosas! Vocês vão ser farmacêuticas, tem que experimentar os medicamentos (parênteses: uma amiga minha já experimentou quase de tudo, mas eu fujo de medicamentos o máximo possível... experimentar, imagina). Não vai ser uma cheiradinha que vai deixar vocês em alfa. Um adulto precisa inspirar umas 50 vezes para apagar.
É, as crianças pequenas demoravam um tempo para apagar, uma cheirada não ia chapar. Cheiramos. Cheiro estranho. Nunca tomei anestesia geral, admito que fiquei curiosa para dar mais umas inspiradas para ver qual é a sensação, mas dei uma mini-inspirada que confirmou o que ele já tinha falado: suas medrosas!
A manhã foi de granja, como um dos cirurgiões falou: só pintos e ovos (um desvio de uretra - o menino fazia xixi pra baixo, não pro lado; testículos que não desceram para o local correto e foram colocados no lugar pela cirurgia e hérnias na região da virilha - para não colocar os nomes complicados). Adorei, queria mais!

PS: Pelo amor de Deus, não pensem que eu quero virar médica! E eu superei porque alguém me carregou pra mesa, não porque quem me carregou era bonitinho. Duh! Só para constar! sneer

Aline


19 Oct 2008 ~ Barraco na farmácia
Faculdade, Besteiras, Para lembrar

Geralmente está tudo tranquilo na farmácia. Semana passada não estava sendo diferente, ainda mais com aquela chuva aparentemente infinita, quase sem clientes, fazíamos mais palavras cruzadas do que atendíamos. Até que chega uma cliente que queria retirar medicamentos que ela tinha mandado manipular. Por sorte eu estava atendendo outra pessoa na hora e não pude atendê-la. Não que eu faça muita questão de atender caso a pessoa não seja conhecida ou um bonitinho. Besteira, eu atendo gente de todo tipo e às vezes tenho sorte de encontrar pessoas simpáticas.
Então a menina foi pegar os medicamentos dela e não encontrou. Perguntou quando ela tinha mandado manipular.
- Na terça.
- Ah, então só fica pronto hoje depois das cinco.
- Mas quando eu pedi falaram que ficava pronto ontem depois das cinco.
- Desculpa, mas a pessoa que atendeu a senhora deve ter se confundido porque ontem foi feriado, a farmácia não trabalhou, então todos os produtos foram passados para hoje.
Ui, falha nossa! Pelo menos tenho certeza que não foi ninguém da turma da manhã que a atendeu, senão ela lembraria e apontaria o dedo pra cara do sujeito. Lá foi a farmacêutica se desculpar, reconhecendo que o erro realmente tinha sido da farmácia, mas mesmo depois de todas as desculpas a mulher ainda aproveitou para xingar todos nós, inclusive quem não tinha culpa nenhuma.
- Tá, e agora? Quer dizer que vocês vão levar os medicamentos na minha casa? Eu já sabia que ia dar errado quando eu vim encomendar, porque já começou errado. A pessoa que me atendeu não deixou eu ver meu cadastro, só ficou anotando no papel e demorando (parênteses: é muito mais simples para nós olhar o cadastro e não tem motivo nenhum para alguém não querer que qualquer paciente veja seu cadastro). Eu já sabia que ia dar errado! E cadê os funcionários que estavam aqui antes? Tá sempre mudando de funcionários, o que é isso? Só pode dar errado (parênteses 2: a farmácia é campo de estágio obrigatório, onde ficamos 5 semanas e onde todos os alunos do curso precisam estagiar, sem exceção, logo a troca dos supostos "funcionários" é necessária).
Nós todos, incluindo os outros clientes, olhavam para ela quietos, ninguém com coragem de explicar por que os "funcionários" mudavam tanto. Ela reclamou mais um pouco e foi embora xingando.
Depois outra farmacêutica contou que a mesma mal-comida (desculpa, mas foi a primeira coisa em que eu pensei depois da cena) já incomodou mais ainda outra vez, quando a farmacêutica precisou levar a mulher para dentro da manipulação (com jaleco, touca, propé, apetrechos necessários) para explicar por que um pó cabia numa cápsula e outro precisava ser colocado em duas. Mostrou na proveta, tudo como é feito realmente e nada da mulher se convencer. Não é a coisa mais fácil do mundo explicar densidade de pós para um leigo, imagina então entrar nos detalhes de que, dependendo da tecnologia de obtenção, um pó pode ser mais denso que outro, mesmo sendo da mesma substância e, com densidades diferentes, ocupam espaços diferentes. Isso não a convenceu.
Depois falei com uma amiga que já estagiou na farmácia e ela disse que a mulher já fez escândalo mais duas vezes: uma quando ela estava estagiando na dispensação e outra quando ela estava na manipulação. Não sei por que ela ainda aparece lá. Ou seja, a mulher já é barraqueira conhecida, nós que ainda não tínhamos tido o desprazer de conhecê-la. Isso até a semana passada.

Aline


10 Oct 2008 ~ Estágio - parte II
Faculdade, Para lembrar, Diário

Além dos já comentados, outro campo em que eu já terminei meu estágio obrigatório foi a farmácia de manipulação (100 horas). No primeiro dia tive só treinamento e explicações, mas a partir do segundo já entrei para manipular. No começo foi muito legal por ser tudo novo e porque as farmacêuticas, a partir de um certo tempo, passaram a não ficar mais a manhã inteira em cima, cuidando de tudo que era feito. Claro que elas estavam sempre por lá, mas não era sufocante como foi nos outros estágios, em que não fazíamos nada sozinhos e que parecia que estávamos sempre atrapalhando. Para mim foi bom fazer esse antes dos outros que ainda estão por vir porque foi algo mais tranquilo (trema, vou sentir sua falta) em relação ao que eu sei fazer. Digo, eu prefiro trabalhar quieta, mais no meu canto, sem estar atendendo o público diretamente, então foi melhor começar por esse antes da farmácia em si, onde estou agora. O fato de as farmacêuticas supervisoras estarem ou não o tempo inteiro cuidando do que cada um fazia dependeu de como cada um se comportava. Considero que esse estágio me fez sentir um pouco como é trabalhar, porque dessa vez eu me senti útil, enquanto que nos estágios anteriores parecia que os estagiários, incluindo eu, só estavam lá ocupando espaço.
Além da manipulação, teve toda uma parte extra de desenvolvimento e controle das matérias-primas e produtos. Aprendi bastante e gostei. Encontrei um campo em que eu trabalharia por um tempo, mas já no fim do estágio foi ficando enjoado, afinal é sempre a mesma coisa. Não tenho a intenção de trabalhar com isso, mas se precisasse trabalhar por um tempo em farmácia, escolheria a manipulação. Eu preciso de algo que traga mais desafios e novidades e espero encontrar isso no meu estágio final.
Mudando um pouco de assunto, ganhei um presente de aniversário do meu orientador acompanhado da seguinte mensagem: "Para a minha aluna mais indecisa". Minha indecisão é bem conhecida, vejam só! Ele até já sugeriu o que eu deveria fazer, mas sabe como é, a dúvida existe ainda.

Aline


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